Barcos de recreio: luxo e glamour ...
Barcos de recreio: luxo e glamour à tona de água
por Ana Pago
Símbolos de estatuto, bom gosto e beleza, os iates continuam a incendiar a imaginação e os sentidos de quem sonha correr mundo por mar, aliando a potência do motor a um conforto interior absoluto.
PARA ALGUNS, com poder de compra e o sentido máximo do conforto, a ideia que fazem de um iate começa a sério quando desembolsam uns largos milhares de euros e levam o navio para casa. Para a maioria, no entanto, começa muito antes, na infância, quando se pensa que a riqueza há-de vir um dia e se sonha com viagens intermináveis, horizontes infinitos e poderes absolutos. O conceito de iate ainda é sinónimo de uma forma de vida glamorosa.
«O mercado náutico é muito idêntico ao imobiliário em termos de concessão de crédito e existe um pouco de tudo ao nível dos navios e dos compradores», explica Carlos Sousa, piloto de ralis e eterno apaixonado pelo mar, que em 2001 decidiu pensar num segundo rumo para a sua vida e se tornou responsável pela Primeyates SA – actualmente a dealer exclusiva do grupo Ferretti e das embarcações Ferretti, Pershing e Sessa em Portugal, além de dispor de alguns barcos usados em stock.
«Temos iates de vários milhões, que contemplam todos os zeros a preencher no livro de cheques, mas infelizmente nunca vendi nenhum desses», brinca o empresário, referindo de passagem a possibilidade de se comprar um iate mais pequeno, por cerca de cinquenta mil euros, noutro concessionário que não a Primeyates (esta trabalha apenas com segmentos superiores).
Por ano, entre novas e usadas, as embarcações vendidas pela empresa oscilam entre vinte e trinta, sobretudo a clientes estrangeiros que passam uns dias de férias em Vilamoura e se encantam com os iates ancorados na marina. A crise também veio trazer alguma desaceleração ao sector (nomeadamente na procura de barcos de dimensões mais pequenas), mas o Verão que se avizinha – a época alta dos negócios –, a política de expansão para os mercados africano e mediterrânico e o facto de operarem no segmento internacional, com todas as vantagens competitivas que isso proporciona, fazem Carlos Sousa esperar o melhor.
REGISTOS HISTÓRICOS mostram que na Antiguidade era comum usar-se luxuosos navios e galeras para o transporte de soberanos: Cleópatra, a rainha grega do Egipto, exibia assim o seu poder algumas décadas antes do nascimento de Cristo. Também os incas se compraziam em navegar em sumptuosas jangadas de recreio no lago Titicaca antes da chegada dos espanhóis – um hábito de requinte e ostentação ...